Mudar ou sucumbir?

Resolvo boa parte das minhas tarefas de trabalho pelo celular. Troquei a velha agenda impressa por aquela que o Google disponibiliza no meu aparelho, com a vantagem de me enviar alertas, no caso de minha memória falhar. Despertador? É coisa do passado. Meu smartphone cumpre muito bem a função dele. Caixa eletrônico pra quê, se posso realizar transações bancárias também ao alcance da minha mão? E até comprar lanche no McDonald’s eu faço por meio de uma tela touchscreen. E-mail? Cada vez mais uso menos. Ligações? Em último caso. Faço e recebo muito poucas. Isso se a comunicação via WhatsApp não funcionar.

Tudo isso que eu já incorporei aos meus hábitos e automatizei é uma constatação de que o mundo mudou. Ok, é um clichê daqueles repetido exaustivamente e que provavelmente você já deve ter escutado. Mas o que mudou? Aí em cima eu já dou algumas dicas. Mas o Tiago Mattos, um dos fundadores da Perestroika (Escola de Atividades Criativas), diz que não é tão fácil assim responder a essa pergunta no seu livro: “Vai lá e faz”. Ok, confesso que comprei a versão impressa (especificamente no caso do livro, tenho apego ao papel). Mas tem a versão digital também [clique aqui pra baixar].

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Mas voltando ao questionamento. Segundo ele, é difícil responder primeiro porque o mundo não mudou. O mundo está mudando. O fenômeno se modifica a cada dia. Como vamos analisar o que está acontecendo, se acontecendo é um verbo no gerúndio, não no pretérito perfeito? Segundo: como podemos entender o contexto se somos o seu resultado? Se ele nos transforma a cada segundo e altera constantemente a nossa percepção da realidade? Terceiro: como não cometer um erro de avaliação, quando – ao que tudo indica – o fenômeno está só começando? Como dar a dimensão exata do mar, se estamos surfando uma onda que mal se formou?

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Fazendo uma reflexão sobre todas as empresas e instituições nas quais eu tive a oportunidade de trabalhar durante meus 16 anos de carreira. E analisando outras as quais eu tive a chance de atender enquanto empreendedora, percebo que muitas delas ainda não conseguiram hoje virar a chave daquele mundo que ficou lá pra trás: “pensamento industrial, segmentado, repetitivo, linear como uma linha de montagem: depois da etapa um, vem a etapa dois. Depois da etapa dois, vem a etapa três. E assim por diante”. Essa herança ainda é muito presente e impede que essas organizações se adaptem à nova era digital.

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Sabendo que nenhuma grande mudança ocorre da noite para o dia (é um processo), essa quebra de paradigma ocorreu de forma gradativa. Isso quer dizer que houve tempo para se preparar para o que vinha, por mais que o futuro nem sempre seja exatamente aquilo que esperamos. Mas se estamos dentro de um processo, sendo afetados diretamente por ele e vendo as mudanças diante dos nossos olhos, por que não mudar? Por que se apegar a velhos modelos? Por que não se reinventar? Talvez porque muitos de nós sejamos resistentes à ideia de mudança, já que muitas vezes isso significa sair da zona de conforto.

Como diria o Darwin, "as espécies que sobrevivem não são as mais fortes, nem as mais inteligentes, e sim aquelas que se adaptam melhor às mudanças".
Como diria o Darwin, “as espécies que sobrevivem não são as mais fortes, nem as mais inteligentes, e sim aquelas que se adaptam melhor às mudanças”.

Zygmunt Bauman no livro “Modernidade Líquida”, diz que a modernidade imediata é “líquida” e “veloz”, mais dinâmica que a modernidade “sólida” que suplantou. A passagem de uma a outra acarretou profundas mudanças em todos os aspectos da vida humana. A modernidade líquida seria “um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível”. Trocando em miúdos, nada foi feito para durar. Se resistirmos às mudanças, corremos o sério risco de sucumbir.

Para entender as mudanças que a Revolução Digital nos impõe hoje, assista à entrevista com o especialista em inovação Marcelo Minutti:

 

 

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