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Cinema com ela
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A genialidade de Batman – O Retorno

Arquivo Geral

23/03/2018 21h18

Reprodução

Para muitos fãs, a patente clássica que Batman – O Cavaleiro das Trevas ganhou ao longo dos anos é incontestável. Entretanto, esse julgamento instantâneo fez com que algumas obras do morcego fossem esquecidas ou subestimadas. Entre elas, está Batman – O Retorno, de Tim Burton.

Lançado em 1992, a obra deu sequência aos acontecimentos de Batman, do ano 1989. O longa-metragem mostra Batman/Bruce Wayne (Michael Keaton) combatendo o crime após os eventos da morte do Coringa. Além desta tragédia, o personagem enfrenta um novo conflito: seu envolvimento com a ladra Selina Kyle (Michelle Pfeiffer), em seu alter-ego, a Mulher-Gato. Como se não bastasse a presença feminina como antagonista, o filme introduz Pinguim (Danny DeVito), outra aparição vilanesca para testar os limites do herói.

Além do status (este aumentando com o passar dos anos) de Batman – O Cavaleiro das Trevas, é irrefutável a inclinação majoritária de Tim Burton para o cinema gótico. Assim como Nolan incorporou magistralmente o gênero policial à sequência de Batman Begins, Burton aplicou seu conhecimento do movimento vanguardista em Batman – O Retorno. Toda essa influência reflete nos atributos técnicos da película, como a direção de arte, figurino e fotografia.

A narrativa Expressionista

Os personagens que habitam o mundo do cinema Expressionista Alemão são aqueles que devem aprender a lidar com suas deformidades tanto físicas quanto psicológicas. Enquanto o visual permanece na condição gótica, Burton preenche toda a carga expressionista em seus personagens. Alguns no sentido literal como o Pinguim de DeVito. Outros no quesito psicológico, como Selina Kyle.

Comparações

Christopher Nolan causou muita polêmica em 2006 com a escalação de Heath Ledger como Coringa, pois muitos não acreditavam no potencial do ator. A decisão sucedeu na catalogação de Batman – O Caveleiro das Trevas como clássico. Para a sequência, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Nolan promoveu mais contestação ao escolher Anne Hathaway como Selina Kyle. Fãs alegaram o mesmo: Anne Hathaway não era sensual o suficiente para papel.

A concepção visual de Burton para Mulher-Gato é impecável e inesquecível, mas enquanto Pfeiffer é resultado dos padrões expressionistas de Burton, Hathaway abraça a visão contemporânea/realista de Nolan. Caracterização que aproxima a personagem de forma mais fiel possível aos quadrinhos. Selina Kyle nunca foi concebida com louca, apenas o inverso, a vilã – nos quadrinhos – agia de maneira extremamente racional, contrário da personagem de Tim Burton.

Cada uma em seu universo funciona perfeitamente. Porém, se um fã procura uma Selina Kyle sã e fiel ao material de Bob Kane, Hathaway é a melhor demonstração. Se o caminho é o oposto e o aficionado procura uma versão inovadora e integralizada com conceitos artísticos, Pfeiffer é a personificação de tudo citado sobre Expressionismo.

Apesar de Nolan finalizar a franquia como todo fã sempre quis, Burton também merece muitos méritos por levar conceitos artísticos em pleno 1990. Enquanto o cineasta entregou uma atmosfera realista para a franquia iniciada em 2005 e finalizada em 2012, Burton tentou – dependendo do ponto de vista – e conseguiu fazer com o que o cinema de arte e o comercial andassem juntos, sem nenhum limítrofe.

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